Shenzhen dá-se a conhecer em Lisboa como o Silicon Valley da China

Sexta, 16 de Junho de 2017

Autoridades desta cidade chinesa estiveram em Portugal para participar num seminário, com o objetivo de estreitar as relações económicas entre os dois países, nomeadamente no campo da tecnologia e da inovação

Shenzhen dá-se a conhecer em Lisboa como o Silicon Valley da China

© Shyan Chien

A Câmara de Comércio e Indústria Lusa-Chinesa (CCILC) organizou, no passado dia 8 de junho, a conferência “China (Shenzhen-Longhua) –Portugal Economic & Trade Seminar”, que contou com a participação de autoridades de Shenzhen. Esta iniciativa tinha o objetivo de estreitar as relações económicas entre os dois países, especificamente no campo da tecnologia e inovação, possibilitar a criação de sinergias no mercado tecnológico e lançar bases para novas parcerias.

Durante o discurso de abertura, o secretário-geral da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa, Sérgio Martins Alves, destacou a importância de Shenzhen no campo tecnológico. “Foi a porta de entrada das grandes empresas multinacionais ocidentais, nomeadamente as tecnológicas. Os nossos iPhones e metade dos bens de consumo tecnológicos que temos nas nossas mãos são feitos nesta cidade chinesa”, lembrou.

“A China já não é só a fábrica do mundo, é sobretudo um grande mercado de consumo e de desenvolvimento tecnológico”, acrescentou o responsável.

Shenzhen. “Uma cidade moderna” que é um hub de transportes rodoviários, férreos, marítimos e aéreos na região Ásia-Pacífico

Por seu turno, a comitiva chinesa aproveitou a ocasião para mostrar um pouco das potencialidades existentes nesta cidade chinesa. “Shenzhen é a primeira região que se tornou uma Zona Económica Especial na China. Possui uma localização privilegiada e boas infraestruturas. É considerado um hub de transportes rodoviários, férreos, marítimos e aéreos na região Ásia-Pacífico. Tornou-se uma cidade moderna, com mais de 10 milhões de habitantes”, começou por referir o Vice-Presidente da Câmara do Distrito de Longhua, Chen Jian Ming, na sua intervenção.

“A região tem cerca de 9 mil empresas, nas mais diversas áreas como informação eletrónica, farmácia, automóveis, vestuário, fabricantes de equipamentos eletrónicos, entre outros”, salientou.

Além disso, ainda lembrou a importância que Portugal dá à Nova Rota da Seda, iniciativa chinesa organizada pela China que pretende ativar a antiga Rota da Seda. “O embaixador de Portugal na China afirmou recentemente que a iniciativa reforça a cooperação e comunicação entre os países envolvidos, reforçando que Portugal vai ter um papel importante nessa ligação”, explicou.

Município que é “um paraíso de inovação” na China

Reforçando a ideia de Shenzhen ter sido a primeira Zona Económica Especial em território chinês, o Diretor-Adjunto do Departamento de Promoção Económica de Longhua, Luo Chun Xiang, afirmou que a cidade chinesa é cada vez mais “uma janela de abertura da China para o exterior”.

Depois, elaborou uma apresentação onde destacou as vantagens de uma cooperação com Longhua, distrito do município de Shenzhen, como “um maduro e focado em setores da tecnologia”, um sistema legal que protege os investidores e as boas condições ambientais em comparação com outras zonas da China. Contundo, aquela que se apresenta como a principal vantagem é o facto do município de Shenzhen ser “um paraíso de inovação”, ou seja, “o Silicon Valley da China”.

“Nos últimos anos, a cooperação entre Shenzhen e Portugal tem crescido. As trocas comerciais rondam os 383 milhões de dólares”, lembrou o responsável, antes de salientar que a capital portuguesa “tem um importante porto marítimo a nível europeu”. “Eu acredito que, depois deste evento, a cooperação entre Portugal e Shenzhen irá ser cada vez mais estreita”, disse.

Já o diretor-geral das Atividades Económicas, Artur Lami, fez questão de relembrar que “a China representa para Portugal um mercado de grandes potencialidades, pelo que é fundamental implementar estratégias eficazes com vista a fomentar um ambiente de negócios propício, no qual os investimentos mútuos e a cooperação empresarial possam ser efetivamente dinamizados”.

 

Por Cláudio Guerreiro